Reconhecimento sem Desculpas é assumir um erro em uma frase, sem desculpa junto e sem citar mais ninguém. O que costuma tomar o tempo de uma reunião é a explicação. Enquanto uma pessoa explica por que aconteceu, o problema continua em aberto e todo mundo espera. Se você assume o erro em poucas palavras, o grupo vai direto ao conserto. Isso também mostra ao time que é seguro admitir um erro em voz alta.

Uma ferramenta que ajuda

Reconhecimento sem Desculpas é um comportamento, e há mais de um jeito de desenvolvê-lo. Uma ferramenta que funciona bem é “Ver, Assumir, Resolver, Fazer” (See It, Own It, Solve It, Do It), os quatro passos para a accountability descritos em The Oz Principle, de Roger Connors, Tom Smith e Craig Hickman.

Ela funciona como uma sequência. Ver vem primeiro: você olha para o que aconteceu do jeito que foi, incluindo a sua parte nisso. Depois vem Assumir, que é dizer essa parte em voz alta, em primeira pessoa. Resolver é perguntar o que dá para fazer a respeito agora. Fazer fecha a sequência, quando você se compromete com uma ação e um prazo, e cumpre.

Reconhecimento sem Desculpas fica nos dois primeiros passos. O que torna a ferramenta útil é que ela diz o que vem depois de assumir o erro. Você já sabe que a sua próxima frase é sobre o conserto, então não sobra espaço para uma explicação.

Quando usar

Use no momento em que você percebe que o erro é seu, na reunião em que ele aparece, ou antes, se foi você quem o achou primeiro. Você vai reconhecer o momento: alguém pergunta “o que aconteceu aqui?” e você sente uma explicação se formando.

Serve para os erros do dia a dia do trabalho, como uma atualização esquecida ou um número errado num relatório. Às vezes a causa importa para a próxima vez. Guarde para a conversa sobre o conserto, quando alguém perguntar.

Como usar

  1. Ver, antes de falar. Identifique exatamente o que deu errado, até o arquivo ou o número.
  2. Assumir, em uma frase. “O erro foi meu” já basta. Pare antes do “mas” ou do “porque”. Essa é a parte difícil.
  3. Passe para o Resolver. Diga o que você acha que resolve, ou pergunte ao grupo do que ele precisa primeiro.
  4. Feche com o Fazer. Diga uma ação e um prazo que você consegue cumprir.

Exemplo

Numa reunião semanal, alguém do time percebe que a apresentação para o cliente ainda mostra os preços do mês passado.

O jeito de sempre “É, eu vi isso, mas a planilha de preços mudou duas vezes na semana passada e ninguém me avisou qual versão era a final.”
A prática “Não atualizei os preços na apresentação. O erro foi meu. Corrijo depois desta chamada e mando a versão nova até as 14h de hoje.”

Os quatro passos cabem nessas três frases, e quem fala em seguida já está discutindo a apresentação.

Frases para usar

  • “Deixei passar a atualização daquele arquivo. O erro foi meu.”
  • “Esse número está errado, e fui eu que mandei.”
  • “Esqueci de mandar o convite. Já estou mandando.”
  • “Eu disse quinta e não entreguei. Deixa eu contar em que pé está.”
  • “Falha minha. O que você precisa que eu faça primeiro?”
  • Para quem lidera, quando alguém faz isso: “Valeu por falar. Como a gente conserta?”

Como saber se funcionou

Preste atenção na próxima frase da reunião. Se ela for sobre o conserto e ninguém perguntar quem foi o responsável, funcionou. Com o tempo, outras pessoas do time começam a assumir os próprios erros do mesmo jeito.

Numa trilha do Skill Deck sobre Accountability, uma pessoa pode escolher esta prática, e as reuniões que ela já tem mostram quando ela a usa.

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